Atualização: Agora chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)
A síndrome dos ovários policísticos é uma condição hormonal muito comum entre mulheres em idade reprodutiva. Apesar disso, ainda gera muitas dúvidas e, em vários casos, demora para ser diagnosticada corretamente.
Muitas pacientes convivem por anos com menstruação irregular, acne, dificuldade para emagrecer, aumento de pelos e alterações hormonais sem entender a verdadeira causa dos sintomas.
Além do impacto físico, a síndrome dos ovários policísticos também pode afetar autoestima, fertilidade, saúde emocional e qualidade de vida.
A boa notícia é que existem tratamentos eficazes e acompanhamento adequado pode trazer melhora importante dos sintomas e prevenção de complicações futuras.
Cada mulher pode apresentar manifestações diferentes da síndrome. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e baseado nas necessidades de cada paciente.
Qual médico trata a síndrome dos ovários policísticos?
O médico responsável pelo diagnóstico e tratamento da síndrome dos ovários policísticos é o ginecologista.
O acompanhamento adequado é fundamental porque a síndrome vai muito além da irregularidade menstrual. Ela pode envolver alterações hormonais, metabólicas, resistência à insulina, fertilidade e saúde emocional.
Meu objetivo durante a consulta é entender a paciente de forma completa, avaliando sintomas, exames, estilo de vida, objetivos pessoais e impacto da síndrome na qualidade de vida.

Sou médico formado pela Universidade Positivo, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Maringá, atuando com foco em saúde hormonal feminina, irregularidade menstrual, fertilidade e acompanhamento individualizado da mulher.
Acredito que muitas pacientes com síndrome dos ovários policísticos acabam recebendo orientações superficiais ou escutando que “é normal”. Porém, cada caso merece investigação cuidadosa e tratamento personalizado.
Valorizo um atendimento humanizado, baseado em evidências científicas e com explicações claras sobre cada etapa do tratamento. O objetivo não é apenas melhorar exames, mas devolver qualidade de vida, segurança e bem-estar para a paciente.
A síndrome dos ovários policísticos pode ser controlada adequadamente quando existe acompanhamento especializado e abordagem individualizada.
O que é síndrome dos ovários policísticos?
A síndrome dos ovários policísticos, também chamada de SOP, é uma alteração hormonal que interfere principalmente na ovulação.
Ela pode causar:
- irregularidade menstrual;
- aumento dos hormônios androgênicos;
- alterações metabólicas;
- dificuldade para engravidar;
- alterações na pele e nos pelos.
Apesar do nome, nem toda paciente com SOP possui múltiplos cistos nos ovários.
Além disso, mulheres com ovários policísticos no ultrassom não necessariamente têm a síndrome.
A síndrome dos ovários policísticos é comum?
Sim.
A SOP é uma das alterações hormonais mais comuns em mulheres em idade fértil.
Muitas pacientes recebem o diagnóstico ainda na adolescência ou no início da vida adulta.
Porém, em alguns casos, a condição permanece sem diagnóstico por muitos anos.

Quais são os principais sintomas da síndrome dos ovários policísticos?
Os sintomas podem variar bastante.
Algumas mulheres apresentam poucos sinais, enquanto outras possuem sintomas mais intensos.
Os principais incluem:
- menstruação irregular;
- ausência de menstruação;
- aumento de pelos;
- acne;
- oleosidade da pele;
- dificuldade para emagrecer;
- ganho de peso;
- queda de cabelo;
- infertilidade;
- resistência à insulina.
Nem toda paciente terá todos esses sintomas.
Menstruação irregular na SOP
A irregularidade menstrual é um dos sinais mais comuns.
Muitas pacientes apresentam:
- ciclos longos;
- menstruação espaçada;
- poucos episódios menstruais ao ano;
- ausência de ovulação.
Isso acontece porque a ovulação pode ocorrer de forma irregular ou até não acontecer em alguns ciclos.
Acne e oleosidade
O aumento dos hormônios androgênicos pode provocar alterações na pele.
As pacientes frequentemente relatam:
- acne persistente;
- aumento da oleosidade;
- piora das espinhas na vida adulta.
Em alguns casos, isso impacta bastante autoestima e confiança.
Aumento de pelos
O excesso de pelos, chamado de hirsutismo, pode ocorrer principalmente:
- no rosto;
- no queixo;
- no abdômen;
- no tórax.
Esse sintoma acontece devido ao aumento da ação hormonal androgênica.
Queda de cabelo
Algumas mulheres também apresentam afinamento dos fios e queda capilar.
Isso pode causar:
- redução do volume do cabelo;
- rarefação em determinadas áreas;
- impacto emocional importante.
SOP e dificuldade para emagrecer
Muitas pacientes com síndrome dos ovários policísticos relatam grande dificuldade para perder peso.
Isso pode estar relacionado principalmente à resistência à insulina.
Em alguns casos, mesmo com dieta e atividade física, o emagrecimento ocorre de maneira mais lenta.
Por isso, o acompanhamento individualizado faz diferença.
O que é resistência à insulina?
A resistência à insulina acontece quando o organismo apresenta dificuldade para utilizar adequadamente a insulina produzida pelo corpo.
Isso pode favorecer:
- ganho de peso;
- aumento abdominal;
- maior fome;
- alterações metabólicas;
- aumento do risco de diabetes.
A resistência à insulina é muito frequente na SOP.
SOP pode causar infertilidade?
Sim.
A síndrome dos ovários policísticos é uma das causas mais comuns de infertilidade por ausência de ovulação.
Porém, isso não significa que a mulher não poderá engravidar.
Com acompanhamento adequado, muitas pacientes conseguem engravidar naturalmente ou com auxílio de tratamentos específicos.
Toda mulher com SOP terá dificuldade para engravidar?
Não.
Muitas mulheres com SOP conseguem engravidar sem dificuldades.
Tudo depende:
- da frequência da ovulação;
- da idade;
- do peso;
- da saúde metabólica;
- da presença de outras alterações associadas.
Cada caso deve ser avaliado individualmente.
O que causa a síndrome dos ovários policísticos?
A SOP possui origem multifatorial.
Isso significa que vários fatores podem estar envolvidos.
Entre eles:
- predisposição genética;
- resistência à insulina;
- alterações hormonais;
- fatores metabólicos;
- estilo de vida.
Ainda não existe uma única causa definida.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado através da combinação de sintomas, exames laboratoriais e ultrassonografia.
Geralmente, o ginecologista avalia:
- irregularidade menstrual;
- sinais clínicos de excesso hormonal;
- exames hormonais;
- aspecto dos ovários no ultrassom.
Nem toda paciente precisará apresentar todos os critérios.
Ultrassom com ovários policísticos significa SOP?
Não necessariamente.
Essa é uma dúvida muito comum.
Algumas mulheres possuem ovários com aspecto policístico no ultrassom, mas não têm sintomas nem alterações hormonais.
Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas no exame de imagem.
Quais exames podem ser solicitados?
Os exames variam conforme cada paciente.
Os mais comuns incluem:
- ultrassonografia transvaginal;
- exames hormonais;
- glicemia;
- insulina;
- perfil lipídico;
- avaliação da tireoide.
A investigação ajuda a entender o impacto hormonal e metabólico da síndrome.
SOP pode aumentar risco de diabetes?
Sim.
Especialmente quando existe resistência à insulina associada.
Além disso, a SOP também pode aumentar o risco de:
- diabetes tipo 2;
- colesterol elevado;
- hipertensão;
- síndrome metabólica.
Por isso, o acompanhamento não deve focar apenas na menstruação.
A síndrome dos ovários policísticos tem cura?
A SOP não possui uma “cura definitiva”, mas pode ser controlada adequadamente.
Com tratamento e mudanças no estilo de vida, muitas pacientes apresentam grande melhora dos sintomas.
O objetivo do tratamento é:
- regular ciclos menstruais;
- melhorar sintomas hormonais;
- reduzir riscos metabólicos;
- melhorar fertilidade;
- melhorar qualidade de vida.
Como é feito o tratamento da SOP?
O tratamento depende principalmente dos objetivos da paciente.
Por exemplo:
- controle menstrual;
- melhora da acne;
- fertilidade;
- emagrecimento;
- controle metabólico.
Cada mulher precisa de abordagem personalizada.
Mudanças no estilo de vida
A mudança de hábitos possui papel fundamental.
Muitas vezes, pequenas mudanças já trazem melhora importante.
As orientações geralmente incluem:
- atividade física regular;
- alimentação equilibrada;
- controle do peso;
- melhora do sono;
- redução do sedentarismo.
Mesmo perdas moderadas de peso podem melhorar bastante os sintomas.
Anticoncepcionais na SOP
Os anticoncepcionais podem ajudar em vários sintomas.
Eles costumam ser utilizados para:
- regular a menstruação;
- reduzir acne;
- diminuir oleosidade;
- controlar excesso de pelos.
A escolha deve ser individualizada conforme perfil da paciente.
Metformina na síndrome dos ovários policísticos
Em alguns casos, pode ser utilizada metformina.
Ela pode ajudar principalmente:
- na resistência à insulina;
- no metabolismo;
- no controle glicêmico;
- na melhora ovulatória em algumas pacientes.
Nem toda mulher com SOP precisará usar essa medicação.
Tratamentos para fertilidade
Quando existe desejo de engravidar, o tratamento muda.
Nesses casos, o objetivo principal é estimular ovulação adequada.
As opções podem incluir:
- controle do peso;
- indutores de ovulação;
- acompanhamento da fertilidade;
- reprodução assistida em casos específicos.
Muitas pacientes conseguem bons resultados com tratamento adequado.
SOP na adolescência
O diagnóstico na adolescência exige atenção especial.
Isso porque algumas alterações hormonais podem fazer parte do amadurecimento natural dos ciclos menstruais.
Por isso, o diagnóstico deve ser feito com cuidado para evitar excesso de diagnósticos incorretos.
Aspectos emocionais da SOP
A síndrome dos ovários policísticos também pode impactar saúde emocional.
Muitas pacientes sofrem com:
- baixa autoestima;
- ansiedade;
- insegurança;
- insatisfação corporal;
- frustração relacionada à fertilidade.
O cuidado da paciente deve ser integral e acolhedor.
Alimentação na síndrome dos ovários policísticos
A alimentação tem grande importância no controle da SOP.
Algumas orientações incluem:
- reduzir excesso de açúcar;
- controlar ultraprocessados;
- aumentar proteínas;
- consumir fibras;
- melhorar qualidade alimentar geral.
Dietas extremamente restritivas nem sempre são sustentáveis ou necessárias.
Atividade física ajuda na SOP?
Sim, muito.
A atividade física ajuda:
- no controle da resistência à insulina;
- na melhora metabólica;
- no emagrecimento;
- na regulação hormonal;
- no bem-estar emocional.
Além disso, melhora saúde cardiovascular e qualidade de vida.
Quando procurar um ginecologista?
É importante procurar avaliação médica se houver:
- menstruação irregular;
- ausência de menstruação;
- dificuldade para engravidar;
- acne persistente;
- excesso de pelos;
- ganho de peso;
- suspeita de alterações hormonais.
Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores costumam ser os resultados do tratamento.
O acompanhamento deve ser individualizado
Cada mulher com SOP possui sintomas e objetivos diferentes.
Algumas desejam:
- regular a menstruação;
- melhorar acne;
- emagrecer;
- engravidar;
- melhorar qualidade de vida.
Por isso, o tratamento nunca deve ser padronizado.
Considerações finais sobre síndrome dos ovários policísticos
A síndrome dos ovários policísticos é uma condição hormonal frequente, mas que pode impactar diferentes áreas da saúde feminina.
Menstruação irregular, acne, dificuldade para emagrecer, alterações hormonais e infertilidade são alguns dos sintomas mais comuns.
Apesar disso, muitas mulheres convivem com a síndrome sem diagnóstico adequado ou sem tratamento individualizado.
Com acompanhamento especializado, mudanças no estilo de vida e tratamento personalizado, é possível controlar os sintomas, melhorar a saúde metabólica e recuperar qualidade de vida.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento ginecológico adequado fazem diferença tanto no bem-estar atual quanto na prevenção de complicações futuras.