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Dr. Nilton Dariva – Ginecologia e Obstetrícia em Maringá – PR

O que é Endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. Ela ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outras regiões da pelve.

Esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio normal. Como consequência, ele pode sangrar e causar inflamação a cada menstruação, levando a dor, aderências e, em alguns casos, dificuldade para engravidar. Apesar de ser uma doença relativamente comum, muitas mulheres convivem com sintomas durante anos antes de receberem o diagnóstico correto.

Quão comum é a endometriose?

Estima-se que cerca de 10% das mulheres em idade fértil tenham endometriose. Entre mulheres que apresentam dor pélvica crônica ou infertilidade, essa porcentagem pode ser ainda maior.

A doença pode surgir desde a adolescência e permanecer ativa até a menopausa, embora os sintomas e a gravidade variem bastante entre as pacientes.

O que causa a endometriose?

A causa exata da endometriose ainda não é totalmente conhecida. Atualmente acredita-se que diversos fatores estejam envolvidos.

Entre as principais teorias estão:

  • Menstruação retrógrada (quando parte do sangue menstrual retorna pelas trompas para a cavidade abdominal);
  • Fatores genéticos;
  • Alterações imunológicas;
  • Influência hormonal;
  • Fatores ambientais.

Mulheres que possuem mãe, irmã ou filha com endometriose apresentam maior risco de desenvolver a doença.

Quais são os sintomas da endometriose?

Os sintomas podem variar desde quadros leves até situações que comprometem significativamente a qualidade de vida.

Os mais comuns incluem:

1. Cólica menstrual intensa

É o sintoma mais frequente.

Muitas mulheres acreditam que sentir muita dor durante a menstruação é normal, mas cólicas incapacitantes, que impedem atividades do dia a dia ou exigem uso frequente de medicamentos, merecem investigação.

Sinais de alerta:

  • Dor que piora progressivamente ao longo dos anos;
  • Necessidade constante de analgésicos;
  • Faltas no trabalho ou escola devido à dor;
  • Limitação das atividades habituais.

2. Dor pélvica crônica

Algumas pacientes apresentam dor contínua na região inferior do abdome, mesmo fora do período menstrual.

Essa dor pode ser:

  • Constante;
  • Intermitente;
  • Leve ou intensa;
  • Associada à sensação de peso na pelve.

3. Dor durante as relações sexuais

A dor durante ou após a relação sexual, especialmente em penetrações profundas, é bastante comum na endometriose.

Esse sintoma ocorre principalmente quando há acometimento dos ligamentos uterinos ou da região posterior da pelve.

4. Alterações intestinais

Quando a doença acomete o intestino, podem surgir sintomas como:

  • Dor para evacuar;
  • Prisão de ventre;
  • Diarreia;
  • Distensão abdominal;
  • Sensação de intestino preso;
  • Sangramento nas fezes durante a menstruação (em casos mais raros).

Muitas mulheres recebem inicialmente diagnóstico de síndrome do intestino irritável antes de descobrirem a endometriose.

5. Sintomas urinários

Nos casos em que a bexiga ou trato urinário são afetados, podem ocorrer:

  • Dor ao urinar;
  • Aumento da frequência urinária;
  • Ardência urinária;
  • Sangramento na urina durante a menstruação.

6. Dificuldade para engravidar

A infertilidade pode ser a primeira manifestação da doença.

Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose apresentem alguma dificuldade para engravidar.

Toda mulher com endometriose é infértil?

Não.

Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente e nunca apresentam problemas de fertilidade.

Entretanto, dependendo da localização e da gravidade da doença, podem ocorrer alterações que dificultam a fecundação, como:

  • Inflamação pélvica crônica;
  • Aderências;
  • Obstrução das trompas;
  • Comprometimento da reserva ovariana;
  • Alteração da qualidade dos óvulos.

Por isso, mulheres com desejo reprodutivo devem ser avaliadas individualmente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa por uma consulta ginecológica detalhada.

Durante a avaliação, o médico investiga:

  • Características da dor;
  • Histórico menstrual;
  • Sintomas intestinais;
  • Sintomas urinários;
  • Histórico familiar;
  • Desejo de gestação.

O exame físico também pode fornecer informações importantes.

Quais exames podem ajudar?

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Atualmente é um dos principais exames para investigação da endometriose profunda.

Permite avaliar:

  • Ovários;
  • Ligamentos uterinos;
  • Intestino;
  • Bexiga;
  • Presença de aderências.

Quando realizado por profissionais experientes, apresenta excelente precisão diagnóstica.

Ressonância Magnética da Pelve

É frequentemente utilizada para complementar a avaliação.

Pode fornecer detalhes importantes sobre:

  • Extensão da doença;
  • Profundidade das lesões;
  • Planejamento cirúrgico.

Exames de sangue

Não existe um exame de sangue capaz de diagnosticar a endometriose com segurança.

Marcadores como o CA-125 podem estar elevados, mas não são específicos para a doença.

Quais são os tipos de endometriose?

A doença pode ser classificada conforme sua localização.

Endometriose Peritoneal

Afeta a superfície interna da cavidade abdominal.

Geralmente apresenta lesões superficiais.

Endometrioma Ovariano

Ocorre quando a doença acomete os ovários, formando cistos conhecidos popularmente como “cistos de chocolate”.

Recebem esse nome devido ao conteúdo escuro presente em seu interior.

Endometriose Profunda

É considerada a forma mais complexa.

As lesões infiltram tecidos e órgãos em profundidade, podendo atingir:

  • Intestino;
  • Bexiga;
  • Ureteres;
  • Ligamentos uterinos;

Septo retovaginal.

Existe cura para a endometriose?

A endometriose é considerada uma doença crônica.

Isso significa que nem sempre é possível falar em cura definitiva.

Entretanto, existem tratamentos eficazes que permitem controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e preservar a fertilidade quando necessário.

O objetivo do tratamento é:

  • Controlar a dor;
  • Reduzir a progressão da doença;
  • Melhorar a fertilidade;
  • Recuperar a qualidade de vida.

Como é o tratamento da endometriose?

O tratamento deve ser individualizado.

A escolha depende de diversos fatores:

  • Idade;
  • Intensidade dos sintomas;
  • Desejo de engravidar;
  • Localização da doença;
  • Extensão das lesões.

Tratamento medicamentoso

Os medicamentos têm como principal objetivo reduzir a atividade hormonal que estimula as lesões.

As opções incluem:

Anticoncepcionais hormonais

Podem ser utilizados de forma contínua para reduzir ou suspender a menstruação.

São frequentemente a primeira linha de tratamento.

DIU hormonal

O DIU com levonorgestrel pode ajudar significativamente no controle da dor e do fluxo menstrual.

Progestagênios

Medicamentos à base de progesterona também são amplamente utilizados.

Análogos e antagonistas do GnRH

São medicamentos mais específicos que promovem um bloqueio hormonal temporário.

Normalmente são reservados para casos selecionados.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia pode ser indicada quando:

  • Há dor intensa sem resposta ao tratamento clínico;
  • Existe comprometimento intestinal importante;
  • Há acometimento urinário significativo;
  • Existem endometriomas volumosos;
  • O diagnóstico permanece duvidoso;
  • Há infertilidade associada em casos específicos.

Atualmente a maioria dos procedimentos é realizada por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que proporciona recuperação mais rápida.

A alimentação influencia na endometriose?

Embora a alimentação não cure a doença, hábitos saudáveis podem contribuir para a redução da inflamação e melhora dos sintomas.

Recomenda-se:

Consumir mais:

  • Frutas;
  • Verduras;
  • Legumes;
  • Peixes;
  • Castanhas;
  • Alimentos ricos em fibras.

Reduzir:

  • Ultraprocessados;
  • Refrigerantes;
  • Excesso de açúcar;
  • Gorduras trans;
  • Alimentos altamente industrializados.

Cada paciente pode apresentar sensibilidades individuais, portanto a orientação nutricional personalizada pode ser útil.

Exercícios físicos ajudam?

Sim.

A prática regular de atividade física está associada a diversos benefícios:

  • Melhora do bem-estar;
  • Redução da inflamação;
  • Controle do peso;
  • Diminuição da percepção da dor;
  • Melhora da saúde mental.

O importante é escolher uma atividade compatível com a rotina e que possa ser mantida de forma consistente.

Quando procurar um ginecologista?

Você deve procurar avaliação especializada se apresentar:

  • Cólicas muito fortes;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor pélvica persistente;
  • Alterações intestinais relacionadas à menstruação;
  • Dificuldade para engravidar;
  • Sintomas urinários cíclicos.

Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controlar a doença e evitar complicações.

A importância do acompanhamento especializado

A endometriose é uma doença complexa que pode impactar significativamente a qualidade de vida, a saúde emocional, os relacionamentos e os planos reprodutivos da mulher.

Felizmente, os avanços da medicina permitem diagnóstico cada vez mais precoce e tratamentos altamente eficazes.

Por isso, dores menstruais incapacitantes não devem ser consideradas normais. Buscar orientação médica é o primeiro passo para recuperar o bem-estar e viver com mais qualidade.

Sobre o Dr. Nilton Dariva

O Dr. Nilton Dariva é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, dedicado ao cuidado integral da saúde da mulher. Seu atendimento é baseado em evidências científicas, escuta atenta e abordagem individualizada, oferecendo diagnóstico preciso e tratamentos modernos para condições como endometriose, alterações menstruais, infertilidade e doenças ginecológicas em geral.

Se você apresenta sintomas sugestivos de endometriose ou deseja uma avaliação especializada, agende sua consulta e receba um acompanhamento humanizado focado nas suas necessidades e objetivos.

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